seus lábios salgados
me tocam a alma docemente
seus olhos me acariciam
com suavidade
ouvi os fantasmas cantarolando alegremente
e passos no chão gélido em que a morte pisou
vi seus olhos tristes fitando o horizonte
sem compromisso
traçando ingenuamente um futuro inatingivel

senti a despedida na pele
e as lágrimas correndo na alma a angustia invade e trastorna
sendo merecida ou não

não existe honra ao merito
perdão
nem se quer ao menos agradecimentos
a balança sempre pende para os erros
êxitos não são lembrados
desculpa não significa arrependimento
amor não significa eternidade
o “pra sempre” é relativo
os caminhos são curvos e pouco lógicos
a dualidade da sombra se dispersa na escuridão

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escrevo enquanto o café esfria, o tempo passa lentamente, a música toca, as lágrimas quase escorrem, as idéias giram em minha cabeça como num furacão de pensamentos.

Verdades crueis

O mendigo acuado debruça-se sobre o prato.
As pessoas passam... nem o notam, nem se importam. E as que notam o olham com despreso, acusando aquele pobre homem sem história de borrar a paisagem cinza da cidade. Ele percebe os olhares acusadores e se envergonha, e os que deviam se envergonhar, seguem, com seus narizes empinados, suas roupas limpas, e seus corações de pedra.

Sobre mim

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eu sou um pássaro me trancam na gaiola e esperam que eu cante, como antes eu sou um pássaro me trancam na gaiola mas um dia eu consigo existir e vou voar pelo caminho mais bonito